Um conto por Ilda Ferreira
Numa aldeia longínqua, Neves Brancas, situada no meio de uma grande cordilheira, havia uma escola em que, todos os anos, as crianças preparavam um belo presépio, com uma grande árvore de Natal. Esse era um dos momentos mais importantes da aldeia, pois a escola seria visitada por toda a aldeia e os meninos faziam questão de apresentar uma árvore sempre mais bela que a do ano anterior. Era uma grande animação e todos participavam com um entusiasmo contagiante.
Havia quem pintasse as figuras, quem fizesse as casas, quem colasse as nuvens de algodão.
E no fim, no topo, sempre brilhava uma grande estrela dourada — símbolo da luz que os guiava a todos.
Este ano, porém, algo era diferente. Tinha chegado uma nova aluna à aldeia, a Malika. Malika, viera de longe, de um país quente onde o Natal se celebrava de outra forma, com canções e com cores diferentes. A menina sentia um aperto no peito — queria tanto pertencer, mas tudo lhe parecia tão novo.
No primeiro dia de ensaio, alguns colegas cochichavam:
— Ela nem sabe cantar as nossas músicas…
— E o nome dela é estranho!
A Malika ficava em silêncio, queria ajudar, mas não sabia bem como, pois desconhecia as tradições do país.
O professor Luís, que observava tudo atentamente, sorriu e disse:
— No presépio, há lugar para todos, até para quem chega com uma luz diferente. Malika, vou dar-te uma tarefa muito especial, vais fazer uma estrela para a árvore, tal como estás habituada a fazer no teu país.
A menina, entusiasmada por participar, passou dias a recortar, colar e pintar. Em vez de dourada, a sua estrela tinha cores de arco-íris, pequenas pedrinhas e desenhos do sol.
Quando a mostrou à turma, alguns riram, não entendendo.
Mas à noite, durante a montagem final da árvore, a estrela dourada, de sempre, caiu e partiu-se ao meio.
As crianças ficaram preocupadas e tristes, “o que fariam agora?”. Então, o professor olhou para Malika:
— Talvez a tua estrela possa brilhar por todos nós…
Malika, subindo ao escadote, colocou a sua colorida estrela no topo da árvore.
E, como por magia, as pedrinhas refletiram as luzes na sala. As paredes encheram-se de tons de azul, rosa e dourado, como se pequenos arco-íris dançassem pela sala.
Todos ficaram em silêncio, estupefactos — esta estrela era muito mais bonita do que qualquer estrela anterior.
No dia seguinte, a história correu pela aldeia, despertando a curiosidade dos aldeões que ficaram ansiosos por visitar a famosa árvore:
“A nova estrela trouxe mais luz porque juntou todas as cores.”
Desde então, a árvore da escola de Neves Brancas tem sempre uma estrela multicolor — para lembrar que o Natal é mais bonito quando ninguém fica de fora.
Mensagem final:
Incluir é abrir espaço para novas cores — e descobrir que, juntas, brilham muito mais do que sozinhas.

