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Um exemplo de fé e perseverança de uma serra para outra!

Um (re)Conto por Tiago Cardoso

http://www.padlet.com/TiagoCardoso1993/SerapilheiradasHistorias

Esta história é um reconto d’A Lenda do Velho de Unhais, uma narrativa de uma placa de um espaço público de Unhais-o-Velho, originalmente apresentado no Centro de Dia do CRIVA (Centro de Reformados e Idosos do Vale da Amoreira) no dia 3 de Janeiro de 2025.

Cinco dedinhos mágicos apontam para um homem dos seus setenta e cinco anos chamado António Francisco que vivia em Unhais, uma das muitas povoações espalhadas pela Serra do Açor. O seu coração pulsava de louvor a Deus e tinha um espacinho reservado a São Mateus, o Santo a que tinha devoção.

O António Francisco era um cristão muito devoto: não falhava uma única missa de Domingo, indo a qualquer igreja da paróquia por um certo motivo. Mas houve um ano em que ele só frequentou uma, e apenas uma, igreja ao Domingo para que não houvesse mais esse motivo.

O António Francisco assistiu à primeira missa dominical do ano na Igreja de Santa Maria Maior, na Covilhã, sede da paróquia onde residia. Depois dessa missa, foi ter com o padre que a deu, que também administrava essa paróquia – ou seja, era o pároco –, e lamentou as grandes distâncias que tinha de percorrer para ir à missa numa igreja, pois não havia nenhuma na terra dele. Era esse o motivo pelo qual este paroquiano de Unhais ia a qualquer igreja da paróquia.

Este pároco da Covilhã sorriu – tinha um imenso prazer em pôr à prova os paroquianos! Prometeu ao António Francisco a construção de uma igreja em Unhais se não faltasse a nenhuma missa na referida Igreja de Santa Maria Maior (a da história, havendo mais igrejas com o mesmo nome) ao Domingo até aquele ano terminar.

Ora, para terem bem a noção do enorme desafio que este pároco colocou ao António Francisco, naquele tempo, pelos vistos, a paróquia da Covilhã abrangia boa parte da Serra da Estrela e da vizinha Serra do Açor – ele tinha de passar por algumas montanhas para ir de Unhais à Covilhã e, claro, voltar pelo mesmo caminho, um percurso de ida e volta com cerca de 86 km e cuja caminhada dura aproximadamente 22 h! Estão a ver a enormidade do que foi proposto a este paroquiano, idoso, relembro, não estão?

Mas o António Francisco aceitou esse desafio que o pároco lhe lançou – queria mesmo uma igreja para Unhais! Isso é que era vontade, hã?

Os Domingos iam passando, e o António Francisco a marcar sempre presença na Igreja de Santa Maria Maior. Por isso, em Dezembro, o pároco já estava a pensar no quando ia desembolsar para mandar construir uma nova igreja na paróquia.

Pároco da Covilhã: «Eu e a minha grande boca… Já estou a ver que esta brincadeira vai sair-me cara! Onde eu tinha a cabeça para lançar aquele estúpido desafio? Eu lá sabia que o raio do velho ia conseguir ir a todas as missas de Domingo!! Se soubesse, teria ficado calado!!! Ó se tinha!»

Chegou, por fim, o último Domingo do ano. Na manhã daquele dia, caia um forte nevão. Não, esperem – uma nevasca, isso sim! O vento, trazendo grossos flocos de neve, bailava por entre as montanhas como um enorme Fantasma uivante.

Uuhúu!

A missa de Domingo já tinha começado, mas o António Francisco ainda não tinha aparecido na Igreja de Santa Maria Maior. O pároco sorriu, pois já acreditava que ele ficou impossibilitado de ir aquela missa devido à nevasca.

Pároco da Covilhã: «Hoje é que o velho não vem e não ganha a igreja!»

Os paroquianos já presentes na Igreja de Santa Maria Maior também acreditavam nisso. Baixaram a cabeça de pena – sabiam porque o António Francisco estava sempre na missa de Domingo, e torciam por ele.

Nisto…

Blam!

Alguém abriu a porta da igreja de repente e nela entrou de rompante! Era o António Francisco, a sacudir a neve da capa. E tinha ouvido o que o pároco disse alto e a bom som quando estava para abrir a porta!

António Francisco: «O Velho de Unhais já cá está!»

A última missa dominical do ano na Igreja de Santa Maria Maior tardou em recomeçar porque os outros paroquianos não paravam de bater palmas ao António Feliciano e felicitá-lo… E o pároco tinha desmaiado!

Foi assim que Unhais ganhou uma igreja e passou a chamar-se Unhais-o-Velho em homenagem ao António Francisco.

Ora bem, termina aqui esta história. E como se trata de um reconto de uma lenda do concelho de Pampilhosa da Serra, termina ao som de uma canção de uma banda filarmónica desse concelho: Recordação da Pampilhosa, do Grupo Musical Fraternidade Pampilhosense. Sugiro ao meu público que a oiça enquanto recorda as jornadas dominicais do António Francisco para que houvesse uma igreja em Unhais.

Agora fecho a minha mão, e a história termina então!

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