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Uma boa parte dos autores que escrevem um livro infantil começam a sonhar com a sua publicação muito antes de o fazerem.

Alguns não chegam a conseguir.

Mas então o que distingue o escritor que publica, daquele que não consegue? Será uma questão de talento? Sorte? Determinação?

Acredito que vivemos na era em que a publicação é mais acessível, mas ainda assim não é possível a todos quantos sonham com isso. E o mundo da publicação infantil apresenta alguns desafios adicionais.

Ao longo deste artigo, vou partilhar 3 motivos pelos quais, segundo a minha experiência, o sonho de escrever e publicar o livro por vezes falha.

Porque é que o sonho vai sendo adiado?

Ao longo do meu percurso enquanto mentora de autores, já encontrei várias pessoas que tinham uma coisa em comum: sonhavam há décadas com a publicação de um livro, mas ainda não tinham  dado os primeiros passos. Algumas tinham as ideias completamente estruturadas, mas não tinham sequer começado a escrever a obra.

Também eu tive de atravessar algumas montanhas antes de publicar o meu primeiro livro infantil, a maior parte delas internas. Por isso eu acredito e defendo que o processo deve começar de dentro para fora. É com base nesse pressuposto que apresento os motivos que se seguem:

Falta de objetivos claros

Para além da auto-confiança, a incapacidade de definir objetivos de forma clara é uma das razões pelas quais os escritores não conseguem realizar o seu sonho. No meu caso pessoal, sempre tive grande dificuldade em definir objetivos. Geralmente eram sempre demasiado abrangentes, sem balizas temporais e, algumas vezes, um pouco irrealistas. A verdade é que não basta dizer “eu quero publicar o meu livro”. O universo da literatura infantil tem especificidades diferentes da ficção adulta, por exemplo. É preciso saber adaptar os objetivos a esse universo, definindo qual a faixa etária para quem se quer trabalhar, que tipo de competências se quer transmitir, qual o tipo de livro que melhor se adequa a esse propósito, entre outras coisas.

Quando tomamos consciência disso e refletimos sobre o assunto, percebemos que elaborar objetivos é tão importante como definirmos o destino que queremos visitar numa grande viagem, por exemplo. Só com essa informação somos capazes de tomar decisões que vão influenciar toda a viagem.

Falta de compromisso

Existe uma ideia de que escrever para crianças é uma coisa rápida, simples e pouco complexa e isso não podia ser mais errado, uma vez que estamos a trabalhar com um público com necessidades muito específicas. Por isso, o teu projeto infantil pode exigir tanto (ou até mais) compromisso do que outro género literário.

E da mesma forma que parece ser muito mais fácil realizar exercício num ginásio ou aprender línguas numa escola, mesmo que tenhas condições para o fazer sozinho e sem sair de casa, o mesmo acontece em relação à escrita e à publicação. É muito mais fácil assumirmos o compromisso com algo externo do que connosco próprios. Eu percebi isso com os concursos literários: podiam passar-se meses com uma ideia na cabeça sem a escrever, mas quando tinha um prazo para submeter um texto, conseguia escrevê-lo em questão de dias. A falta de compromisso leva-nos a começar muitas coisas, que ficam inacabadas e isso traduz-se em frustração e em crenças negativas sobre a nossa capacidade de fazer as coisas.

A minha dica: usa o compromisso externo a teu favor. Partilha os teus objetivos com alguém, junta-te a um grupo, faz um curso ou um desafio, arranja um mentor. Porque o compromisso também se treina e a cada vez que cumprires com algo exterior, estás a alimentar a tua certeza de que mais dia menos dia também o consegues sozinho.

Falta de informação

Salvo algumas exceções mais aventureiras, a maioria de nós não decide fazer uma grande viagem sem se informar sobre o destino, como lá chegar, onde dormir ou comer, sem saber que língua se fala ou que moeda se usa, certo?

Se de repente tivéssemos de ir para um destino completamente desconhecido, o mais certo era sentirmos desconforto, receio, não o querer fazer.

Com a publicação de um livro acontece exatamente o mesmo. Não podes saber como lá chegar se não souberes para onde vais, nem o que esperas encontrar.

Na literatura infantil são vários os aspetos a ter em consideração, porque as escolhas que tomas dependem das especificidades do projeto que definiste. Um livro infantil não é feito apenas das palavras que contam a história, depende de todo um suporte visual que o completa: ilustração… capa dura ou capa comum…formatos… tamanhos… editora ou publicação independente… ISBN… depósito legal… Ninguém espera que o saibas à partida e quando começas a procurar és inundado por uma quantidade absurda (e às vezes contraditória) de informação. Mas conhecimento é poder. Conhecer o processo é essencial para que tomes decisões conscientes e não fiques vulnerável na altura de colocar em prática o teu sonho.

Sonhar, mas com os pés no chão

Sonhar é quase tão importante como respirar. Quem tem a necessidade de escrever para crianças, mais tarde ou mais cedo sente o apelo de o partilhar, de dar um propósito às suas palavras e às suas histórias. Por muito bom que seja sonhar, é importante concretizar, caso contrário o sonho pode tornar-se um pesadelo: frustração, quebra de confiança, desmotivação e até depressão.

É fundamental encontrar o equilíbrio entre os sonhos que nos movem e a dose de pragmatismo necessária para os tornar realidade.

É todo um processo interno que tem de se fazer, com todo o desconforto que isso acarreta, mas no final os resultados são maiores do que a publicação de um livro: são a realização de um sonho e, muitas vezes, de uma versão melhorada de nós mesmos.

Se sentes que precisas de passar do sonho à ação, convido-te a assistir à Masterclass Gratuita: Masterclass Publica o teu livro agora: transforma o sonho em realidade, onde falo sobre estas 3 limitações, mas também sobre os passos que podes dar para começar a criar o teu plano de ação.

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