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Quando me sinto inspirada basta fechar os olhos para imaginar florestas mágicas, cheias de cores, cheiros e ação. Mas há dias em que ao avançar na floresta, tudo o que encontro é nevoeiro, vazio e incerteza. Como se, escondido na bruma, um qualquer monstro se apoderasse do meu superpoder e me deixasse ali perdida e derrotada.

A inspiração não é uma fonte que jorra sem parar e há alturas em que nem as musas nos conseguem valer. Os bloqueios são comuns nos escritores – só não os sente, quem não escreve – mas têm a capacidade de, num curto espaço de tempo, minarem completamente a nossa confiança.

Surgem as crenças, os medos e, de repente, em vez de estarmos a escrever para crianças, estamos a sentir-nos uma, minúscula e indefesa.

Este impacto será tanto menor, quanto mais trabalharmos a nossa autoestima e autoconfiança, claro. É essencial fazermos um trabalho constante de revisão e reinterpretação de crenças, mas ao mesmo tempo termos a capacidade de sermos pacientes e generosos connosco próprio, percebendo que estamos a percorrer um caminho, que não nos é exigida a perfeição (nem por nós mesmos!) e que é natural haver recuos, tal como avanços.

A escrita, tal como a vida, é uma montanha-russa, há momentos em que nos sentimos no topo, mas logo em seguida podemos sentir-nos em queda. Mas é justamente nesses momentos que podemos fortalecer a nossa voz. Para te ajudar a lidar com essas oscilações, partilho 5 Formas Simples de Te Sentires Mais Confiante na Tua Criatividade.

1. Cria sem te julgares. Dá-te permissão de criar livremente, sem te preocupares com o resultado. Ao libertares essa pressão, estás a abrir espaço para a criatividade. O resultado nem sempre é o mais importante, por vezes, o processo e a mudança de atitude podem abrir portas a novas perspetivas, novas formas de usares (ou encontrares) a tua voz.

2. Recolhe pequenas provas de que és criativa. Já alguma vez reparaste que estamos sempre prontos para nos criticarmos, mas aceitar um elogio pode ser um bicho de sete cabeças? Se é esse o teu caso, então este ponto é ainda mais fundamental. Cria um diário para registar as tuas conquistas. Não te limites a colocar as coisas grandes, mas também as pequenas. Seja um elogio que recebeste ou um prémio, tudo é relevante para ajudar a construir confiança nas tuas capacidades criativas.

3. Inspira-te sem te comparares. Estar em contacto com livros e outras formas de expressão artística é essencial para o desenvolvimento da criatividade, mas se sentires que te estás a comparar negativamente quando entras em contacto com o trabalho de outras pessoas, então isso pode estar a fazer-te mais mal do que bem. Procura distanciar-te dessas comparações. Se estás a escrever um texto infantil, não escolhas esse momento para ler livros desse género e procura outras formas de absorver esse universo.Entende que as comparações são sujetivas e todos nós temos a nossa própria identidade.

4. Cria regularmente. Escrever diariamente é o ideal, mas sejamos honestos, nem sempre é uma possibilidade. Ainda assim, cria uma rotina que consigas manter, para treinares a tua escrita e estimulares a tua criatividade. Nos intervalos procura outras formas de criar: inventando histórias para os teus filhos ou alunos ou registando pequenas frases ou ideias num bloco de notas, por exemplo.

5. Partilha algo imperfeito. Não é sobre perfeição, é sobre fazer… Por muito que seja desconfortável dar um pouco de nós a ler a outra pessoa, achando que não está perfeito, às vezes é necessário para ultrapassar a barreira do medo. Pede opiniões e sugestões e entende isso como uma forma de melhorares o teu trabalho e de saires do teu quadrado criativo. Não que haja alguma coisa de errado com quadrados, mas às vezes todos nós temos a liberdade de assumir outras formas.

Todos os heróis têm um superpoder e geralmente também têm uma fraqueza. Para quem escreve são os momentos de bloqueio e falta de criatividade. Mas da mesma forma que provavelmente nas histórias que contas, os teus heróis encontram sempre um modo de superar essa fraqueza, também tu és capaz. A criatividade não é omnipresente, nem infinita, porém pode ser exercitada – tal como um músculo – desafiada e melhorada. A persistência e a confiança – não só no talento, mas no processo em si – são determinantes para o final feliz da nossa história.

Na Tribo de Autores, desafiamo-nos mensalmente a sair dos nossos limites, ao escrever sobre temas que nos são dados, que não são óbvios e por isso nos obrigam a sair da nossa zona de conforto. Além disso, estamos sempre lá para ajudar a construir a confiança necessária para enfrentar as oscilações da montanha russa.

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