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Um conto por Susana Machado

Era uma vez, num planeta bem distante do nosso universo, um pequeno ser, muito
diferente de todos nós, mas uma simples criança como tu. Do seu pequeno mundo
gostava de observar a lua que sempre brilhava num cantinho do seu céu. Um brilho
muito ténue e apagado, em nada semelhante ao que vemos da Terra. Mas ainda assim,
um brilho que o encantava e o levava a sonhar com viagens interplanetárias fantásticas.
Contaram-lhe que a lua tinha sido semeada, há anos-luz atrás, pelos seus antepassados,
para iluminar o céu.

Ele questionava constantemente:

– Porque não semearam mais luas, para não termos de viver na penumbra?

Respondiam-lhe sempre o mesmo:

– As sementes da lua são extremamente raras e difíceis de encontrar e, por isso, temos de continuar a viver à meia-luz daquela única lua.
Ele suspirava ao ouvir esta resposta, olhando pensativamente para a lua, lá alto no céu,
desejando dentro de si: “Um dia, quando for maior vou correr todo este universo até
encontrar mais sementes de lua! Depois vou semeá-las e cuidar delas, para que
cresçam luas enormes e brilhantes que iluminem as nossas vidas”.

Porém, este pequeno ser nunca viria a ter a oportunidade de viajar pelo universo em
busca das sementes da lua. Cresceu, sempre a olhar para a lua, recordando, de forma
cada vez mais distante, a história dos seus antepassados e o seu sonho, que ia
transmitindo às crianças que em torno dele se sentavam para ouvirem as suas histórias.

– Conta-nos mais uma vez a história das sementes da lua – pediam elas. E ele repetia,
uma e outra vez, sem nunca se cansar.
Um dia, no meio da história, uma das crianças perguntou-lhe:

– Mas afinal, como são essas sementes da lua? Como saberias se as encontrasses?
O então velho ser, tão diferente de todos nós, mas ainda uma criança no coração, tal
como tu, parou para reflectir. A verdade é que nunca lhe tinha ocorrido tal questão.
Nunca tivera oportunidade de partir em busca das sementes como sempre desejara,
logo nunca se tinha perguntado como elas seriam.

– Não sei… – respondeu então simples e francamente.
A criança olhou para ele admirada:

– Como podes tu querer encontrar uma coisa se não sabes o que é?!
Ele fechou os olhos e sorriu.

– Não posso! – admitiu.
E naquele momento, a lua brilhou mais do que alguma vez houvera brilhado.

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